Cultivo de moringa sob estresse abiótico: uma abordagem sustentável para alimentação animal no semiárido
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A Moringa oleifera Lam, planta originária dos Himalaias, destaca-se por sua adaptabilidade a climas áridos e semiáridos, além de múltiplas potencialidades incluindo o tratamento de água, alimentação animal e humana, indústria farmacêutica e cosmético. Objetivou-se avaliar os efeitos dos níveis de salinidade da água até 4,5 dS m-1 e déficit de irrigação até 33%ETc na dinâmica de acúmulo de sais no solo, no desenvolvimento vegetativo, na produção quantitativa e qualitativa de biomassa da moringa, bem como seu potencial forrageiro para alimentação animal no semiárido brasileiro. O experimento foi conduzido em área de 0,3 ha, adotando delineamento experimental em blocos casualizados em esquema fatorial 3x3+1, durante 555 dias de cultivo após o transplantio. Os tratamentos consistiram na combinação de três lâminas de irrigação relacionadas a evapotranspiração da cultura (L₁ = 33%; L₂ = 66%; L₃ = 100% ETc) e três níveis de salinidade da água (S₁ = 0,5; S₂ = 2,5; S₃ = 4,5 dS m⁻¹), aplicados via irrigação localizada, além de um tratamento controle sem irrigação após 60 dias o transplantio. O Capítulo I apresentou a umidade do solo e os coeficientes da cultura através do monitoramento diário por tensiômetros, e avaliou a dinâmica de sais no solo submetido a irrigação deficitária a partir de 33%ETc com água de salinidade até 4,5 dS m-1 em condições semiáridas a partir de avaliações semestrais dos parâmetros químicos do solo (pH, CE e acúmulo de sais). Os valores de tensões da água no solo detectaram estresse hídrico na zona radicular de L1, enquanto o coeficiente de cultura apresentouse inferior a 0,5 até o segundo ano de cultivo. O monitoramento da salinidade do solo evidenciou o maior acúmulo de sais no solo no tratamento L2, enquanto L1 minimizou a deposição de sais no solo e L3 proporcionou lixiviação dos sais aplicados via água de irrigação. A alternância do período chuvoso com os secos e o método de irrigação por microtubos favoreceram a estabilidade do pH. O Capítulo II avaliou os parâmetros morfofisiológicos de altura das plantas, diâmetro do caule, produção de matéria verde e seca da moringa cultivada em condições deficitárias de irrigação, a partir de restrição hídrica até 33%ETc ou salinidade de até 4,5 dS m-1 , em intervalos de 60 dias, analisando seu potencial forrageiro no semiárido brasileiro. Os resultados demonstraram que a disponibilidade hídrica exerceu influência significativa na produção de biomassa, com incrementos na matéria verde e seca proporcionalmente ao aumento da lâmina de irrigação. O Capítulo III associa a produtividade obtida e a composição química da forragem, aprofundando a discussão técnico-científica sobre a composição química da biomassa produzida, avaliando seu potencial forrageiro quando cultivada em condições semiáridas. Embora a salinidade de 2,5 dS m⁻¹ tenha aumentado o rendimento em matéria seca, reduziu seu potencial digestível da fibra em detergente ácido, hemicelulose e lignina. A adoção de lâminas deficitárias até 66%ETc integrada com água salobra de 2,5 dS m-1 mostrou-se a estratégia de manejo eficiente para mitigar os efeitos negativos da salinidade sobre a parede celular e manter um perfil fibroso mais adequado para a alimentação de ruminantes. Portanto, a moringa apresentou-se como alternativa sustentável para sistemas agrícolas em ambientes semiáridos e possibilidade de suplementação alimentar para ruminantes em regiões com escassez hídrica e disponibilidade limitada de água de boa qualidade.

