Adaptabilidade de Cladosporium spp. e sensibilidade a produtos a base de cobre
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O Nordeste brasileiro é um dos maiores produtores de melão (Cucumis melo L.) do País. A prática do monocultivo, associado ao manejo inadequado de tecnologias, tem contribuído para o aumento na incidência e severidade de doenças nas áreas de cultivo. Estudos recentes identificaram a ocorrência de manchas foliares e lesões necróticas em frutos de cucurbitáceas (melão, melancia e abóbora) associadas à infecção causada pelo fungo Cladosporium tenuissimum. Diante disso, este trabalho teve como objetivo avaliar os componentes de adaptabilidade de isolados de Cladosporium spp., avaliando diferentes níveis de temperatura, pH e salinidade, além da sensibilidade a diferentes produtos agrícolas à base de cobre. O experimento foi conduzido no laboratório de Fitopatologia II da Universidade Federal Rural do Semi-Árido. Foram analisados 19 isolados de Cladosporium spp. Para os componentes de adaptabilidade foram avaliados: temperatura, pH, salinidade e a sensibilidade aos produtos à base de cobre. Os ensaios foram conduzidos em delineamento inteiramente casualizado (DIC), com quatro repetições por tratamento. Os ensaios foram repetidos. Para isso, discos de micélio de 6 mm de diâmetro, obtidos com quatorze dias de crescimento em meio batata-dextrose-ágar BDA, no escuro, foram depositados em placas de Petri e submetidos a diferentes condições experimentais: temperaturas de 5, 10, 15, 20, 25, 30 e 35 °C; pH 5, 6, 7, 8 e 9; concentrações de cloreto de sódio (NaCl) de 0, 250, 500, 750 e 1000 mM; e cinco produtos cúpricos (500 mL/ha para Copper Crop®, 200 g/100 L para Kocide 538 WG®, 1,8 kg/ha para Redsheld® 750, 200 mL/ 100 L para Supera® e 1 L/400 L para Difere®). Os resultados revelaram ampla variabilidade de resposta dos isolados frente aos componentes de adaptabilidade. A temperatura ótima para crescimento micelial dos isolados avaliados variou entre 19,28 e 24,85 °C. As concentrações de NaCl reduziram significativamente o crescimento de todos os isolados in vitro. Para a concentração a 250 mM, o crescimento dos isolados variou de 1,39 (CLAD 3) a 2,38 mm dia⁻¹ (CML09); na concentração de 500 mM a variação foi de 1,23 (CLAD 3) a 2,27 mm dia⁻¹ (CML11); em 750 mM, o crescimento variou de 1,12 (CLAD 3) a 2,07 mm dia⁻¹ (CML11); e na concentração de 1.000 mM o crescimento variou de 1,05 (CMX04) a 1,91 mm dia⁻¹ (CLAD). No entanto, nenhuma das concentrações foi capaz de inibir completamente o crescimento dos isolados. No pH 5, o crescimento variou de 1,66 (CML07) a 2,99 mm dia⁻¹ (CML09); para o pH 6 a variação de crescimento foi de 1,24 (CML07) a 2,84 mm dia⁻¹ (CML09); já no pH 7 o menor crescimento foi de 1,24 (CML07) e o maior em 2,62 mm dia⁻¹ (CMX01); para o pH 8 o crescimento variou de 1,07 (CML07) a 2,64 mm dia⁻¹ (CMX03); e no pH 9 o crescimento variou de 1,17 (CML07) a 2,58 mm dia⁻¹ (CMX03). Os produtos Supera®, Redshield® 750, Kocide 538 WDG® e Difere® apresentaram os maiores valores de porcentagem de inibição de crescimento (PIC) para a maioria dos isolados, destacando-se estatisticamente em relação ao Copper Crop®. O Redshield® 750 foi mais eficaz para os isolados CML11, CLAD 3 e CLAD 4, enquanto Redshield® 750 e Difere® se destacaram nos isolados CLAD e CLAD 2. Os dados gerados neste estudo ampliam o entendimento sobre a variabilidade de Cladosporium spp. e oferecem novas informações para o desenvolvimento de programas de melhoramento e adoção de medidas de controle mais eficientes nas principais áreas produtoras da região.

