Formação docente e práticas de letramento em Libras: experiência em escola pública de Caraúbas- RN
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Este trabalho teve como objetivo analisar as práticas de letramento em Língua Brasileira de Sinais (Libras) desenvolvidas no contexto de uma oficina em uma escola pública localizada no município de Caraúbas-RN no âmbito do Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência (Pibid). A proposta surgiu da necessidade de promover uma educação inclusiva e bilíngue que reconhecesse a Libras como uma língua legítima no espaço escolar, especialmente em um município que possui legislação própria sobre o ensino de Libras (Lei Municipal No 1.173/2016) e um curso superior de Letras-Libras da UFERSA Campus Caraúbas. Justificou- se a pesquisa pelo papel formativo que a Libras desempenha na construção de práticas pedagógicas inclusivas e pela escassez de estudos que abordassem experiências concretas de letramento em Libras em escolas públicas. A experiência da oficina de Libras, desenvolvida por licenciandas em Letras-Libras, possibilitou reflexões sobre os desafios e as possibilidades do ensino de Libras como meio de inclusão e sensibilização de alunos surdos e ouvintes. O referencial teórico fundamentou-se, principalmente, nos estudos sobre letramento, compreendido como prática social que vai além da simples aquisição de códigos linguísticos, conforme defendido por Soares (2004) incorporando as especificidades do letramento visual- espacial próprio da Libras. A discussão também se apoiou em autores como Skliar (2012), ao abordar a escuta da diferença e a formação docente em contextos bilíngues; Thiollent (2011), que embasou a pesquisa-ação; e Minayo (1994), sobre a relação entre experiência e construção de sentido. A metodologia adotada foi qualitativa, articulando teoria e prática por meio de registros de planejamento, materiais utilizados e diário de bordo das aulas. A análise dos dados foi descritiva e interpretativa, realizada em ordem cronológica e atravessada pelas vivências das professoras em formação. Os resultados obtidos revelaram que a oficina contribuiu significativamente para a ampliação da consciência linguística dos alunos, o fortalecimento dos vínculos afetivos e a valorização da Libras como parte do cotidiano escolar. Houve engajamento dos estudantes, inclusive do aluno surdo participante, que demonstrou maior interação ao longo do processo. As práticas visuais, lúdicas e acessíveis mostraram-se essenciais para o envolvimento de todos. Concluiu-se que o ensino de Libras, quando conduzido de forma planejada e sensível, pode gerar impactos profundos na formação de professores e na construção de uma escola mais inclusiva. Mais do que uma prática pedagógica, ensinar Libras revelou-se um gesto político capaz de desafiar a escola a reconhecer a pluralidade linguística e a reinventar suas formas de comunicar, incluir e ensinar.

