Eficiência de solventes na recuperação de compostos fenólicos da casca do melão pele de sapo
Date
Authors
Journal Title
Journal ISSN
Volume Title
Publisher
Abstract
O Brasil, embora se destaque mundialmente pela sua ampla capacidade de produção de alimentos, enfrenta um sério problema estrutural: o elevado índice de desperdício alimentar. Essa contradição coloca o país entre os maiores geradores de descarte de alimentos no mundo. Diante disso, o reaproveitamento de resíduos agroindustriais, como as cascas de frutas, surge como uma alternativa sustentável para minimizar os impactos ambientais e agregar valor a esses subprodutos. Neste trabalho, investigou-se o potencial da casca do melão pele de sapo (Cucumis melo L.) como matéria-prima para a extração de compostos fenólicos, reconhecidos por sua atividade antioxidante e aplicações nas indústrias alimentícia, farmacêutica e cosmética. A metodologia do processo envolveu o auxílio de planejamentos experimentais sobre as extrações, variando parâmetros como temperatura, tempo e razão massa/volume. Para a caracterização físico-química da casca, foram realizadas análises de umidade, pH, cinzas, celulose, hemicelulose e lignina, visando compreender sua composição. Para a extração de compostos fenólicos, foram testados três solventes: água destilada, etanol e solvente eutético profundo (DES). A eficiência de cada extração foi avaliada com base na recuperação de compostos fenólicos totais (CFT) presentes na casca do melão pele de sapo. Os resultados indicaram que o tipo de solvente influencia diretamente na recuperação dos compostos extraídos. Os extratos obtidos foram analisados quanto ao teor de CFT, destacando-se o solvente eutético profundo (DES), que apresentou a maior concentração sob as condições de 30 minutos e 50 °C, alcançando 19.381,97 mgGAE/100 g. O etanol apresentou seu melhor desempenho na condição de 30 minutos e razão massa/volume de 1:20, com um teor de 18.578,99 mgGAE/100 g. Já a água destilada obteve seu maior rendimento sob as condições de 30 minutos e razão de 1:60, atingindo 15.627,88 mgGAE/100 g. Esses resultados evidenciam que a eficiência da extração de compostos fenólicos foi significativamente influenciada pela escolha do solvente. Além do desempenho técnico, tanto o DES quanto o etanol se destacam por serem alternativas sustentáveis, alinhadas aos princípios de processos químicos ambientalmente mais responsáveis

