Utilização de água produzida do petróleo sintética no cultivo de mudas de plantas nativas da Caatinga
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A Água Produzida (AP) é um importante produto residual da produção de petróleo e gás que alguns consideram uma fonte viável de água para irrigação agrícola. Porém, antes que seu uso seja amplamente empregado na irrigação de culturas agrícolas, os riscos precisam ser mensurados. Nessa perspectiva, objetivou-se neste estudo avaliar a potencialidade do uso de AP (sintética) na produção de mudas de mulungu e craibeira para fins de reflorestamento. Realizou-se então um experimento em casa de vegetação, onde as plântulas foram acondicionadas em sacos de mudas e organizadas conforme delineamento em blocos casualizados, esquema fatorial 4 x 2, com três repetições e duas épocas de avaliação (30 e 60 dias após transplantio). Foram utilizados os seguintes tratamentos no processo: A1 - 100% de água de abastecimento (controle), A2 – Salmoura (SALM), A3 – Água Produzida sintética (AP 100%) e A4 – AP50% (diluição). A fim de atingir os objetivos da pesquisa, realizou-se análise de variáveis agronômicas e nutricional das mudas, bem como análises químicas do solo usado no cultivo. Os dados obtidos foram submetidos à análise de variância (ANOVA) e, verificando-se as significâncias, os tratamentos foram comparados entre si pelo teste de comparação de médias. Diante dos resultados obtidos para as variáveis altura de planta, diâmetro de caule, massa seca total, razão altura/diâmetro e Índice de Qualidade de Dickson (IQD), dentre outras, verificando-se alterações benéficas nas caraterísticas agronômicas das mudas de mulungu quando irrigadas com a AP50%, quando comparada com os demais tratamentos utilizados. No caso da espécie craibeira, para as mesmas variáveis analisadas e os mesmos tratamentos, verifica-se alterações benéficas nas caraterísticas agronômicas das mudas quando irrigadas, principalmente, com a SALM. Do ponto de vista nutricional das plantas e das características químicas do solo, verificou-se que os parâmetros avaliados, teores de N, P, K, Ca, Mg, Na, pH, CE, dentre outros, foram afetados pelos tratamentos utilizados, apresentando efeitos benéficos e adversos em função da concentração dos elementos no solo e na planta, proporcionadas pela composição da AP, influenciando, portanto, no acúmulo de nutrientes nos tecidos vegetais e no solo. A partir desse estudo, conclui-se que é possível usar AP na produção de mudas das espécies estudadas. Todavia, se faz necessário que haja diluição da AP com no mínimo 50% de água de abastecimento público, para cultivo de mulungu, ao passo que para a craibeira se recomenda realizar tratamento prévio na AP para a remoção do óleo/hidrocarbonetos. Essas medidas são imprescindíveis para evitar danos no médio e longo prazo no sistema solo-planta.

