A formação de professores no semiárido potiguar: uma escrita historiográfica sobre o curso normal de Angicos
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O Curso Normal de Angicos foi criado em um contexto educacional no qual as altas taxas de analfabetismo estavam afetando todo o país e a presença de professores leigos nas escolas de ensino primário era predominante, o que requeria a ampliação de cursos normais para formar professores capacitados. Nesse contexto, o objetivo deste trabalho é compreender como se estruturaram e se desenvolveram as ações curriculares e como era o funcionamento do Curso Normal de Angicos, considerando as dimensões pedagógicas, metodológicas, sociais, culturais e estruturais. Ancorados nos teóricos de Magalhães (2004), Saviani (2021), Silva (2011), Nóvoa (1999) e Sanfelice (2021), realizamos uma pesquisa documental que compreendeu a legislação federal e estadual das escolas normais e o acervo documental sobre a Escola Normal Angicos, como livros de pontos, atas, matrículas e inventários. Os resultados apontaram que esta instituição escolar desenvolveu uma formação docente sólida e alinhada às necessidades das zonas rurais do interior potiguar e, mesmo enfrentando limitações materiais e escassez de professores especializados, manteve uma organização administrativa consistente e infraestrutura capaz de sustentar suas práticas educativas. Ao mesmo tempo, suas ações sociais e culturais fortaleceram a identidade docente, promoveram sociabilidade e aproximaram da escola com a comunidade, contribuindo para a democratização do ensino e para o desenvolvimento educacional da região. Assim, o Curso Normal desempenhou papel central na formação de regentes primários e na transformação das realidades escolares do semiárido potiguar.

