Anestesia geral em fêmea de Caiman latirostris: relato de caso
Date
Authors
Journal Title
Journal ISSN
Volume Title
Publisher
Abstract
O jacaré-de-papo-amarelo é um réptil pertencente à ordem Crocodilia e a família Alligatoridae, é um animal com ampla distribuição geográfica e pertencente à fauna Brasileira. Poucos são os relatos e estudos científicos direcionados para esses animais. Ademais, os répteis apresentam peculiaridades morfofisiológicas que os tornam peculiares quando submetidos a anestesia. Dessa forma, o trabalho teve como objetivo relatar o procedimento anestésico de uma esofagostomia realizada em uma fêmea de jacaré-de-papo-amarelo. O Animal foi levado para o hospital veterinário da FMVZ UNESP Botucatu pela polícia ambiental com suspeita de ingestão de corpo estranho. Ao se comprovar a presença de dois objetos semelhantes a anzóis em duas diferentes partes do esôfago o animal foi encaminhado para realização do procedimento cirúrgico. Os valores obtidos na avaliação pré-anestésica do animal para frequência cardíaca (FC) e respiratória (FR) foram respectivamente de 30 batimentos por minuto (bpm) e nove respirações por minuto (rpm). O animal foi classificado como ASA IV E. A medicação pré-anestésica administrada consistiu em 0.3 miligramas por quilo (mg/kg) de Morfina pela via intramuscular, a indução foi realizada com 10 mg/kg de Propofol pela via intravenosa na veia caudal, a manutenção do plano anestésico foi feita com Isoflurano a uma concentração alveolar mínima (CAM) de 1.5%. Foram monitorados ao longo do procedimento FC com auxílio de eletrocardiograma (ECG) e transdutor Doppler e dióxido de carbono no final da expiração (EtCO2) com auxílio de um capnógrafo. O animal foi mantido em ventilação controlada e com utilização de insuflador durante toda a anestesia. O procedimento durou 2 h 50min, a FC média foi de 47,2bpm, a FR controlada foi de 10rpm nas primeiras uma hora de cirurgia, diminuindo para 7rpm até o fim do procedimento, a EtCO2 média foi de 7,6 milímetros de mercúrio (mmHg). O animal foi extubado com 1 h 5 min após o fim do procedimento cirúrgico sem maiores complicações. Não foi administrada nenhuma medicação no período pós-cirúrgico. Por conta da baixa incidência de casos relatados de anestesias em jacaré torna-se importante tal trabalho para o desenvolvimento de melhores técnicas voltadas para esses animais.

