Perfil sócio-demográfico e de sobrevida de pacientes com câncer do colo uterino
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O câncer do colo uterino destaca-se como um dos tipos de tumores malignos em mulheres no no mundo, tendo maior prevalência em países subdesenvolvidos e em desenvolvimento, dentre eles o Brasil, onde apresenta-se como um dos cânceres mais comuns e com maiores taxas de mortalidade. A infecção persistente pelo Papilomavírus Humano (HPV) é a principal causa do câncer do colo uterino em até 99,7% dos casos, porém o desenvolvimento da doença relaciona-se a outros fatores de risco como hábitos comportamentais e de vida (múltiplos parceiros e/ou gestações, início precoce da vida sexual e tabagismo, por exemplo) e presença de infecções sexualmente transmissíveis. Este estudo objetivou analisar e descrever o perfil epidemiológico e de sobrevida de pacientes com neoplasia de colo uterino atendidas na Liga Mossoroense de Estudos e Combate ao Câncer (LMECC) com admissão entre os anos de 2013 a 2019. Realizou-se um estudo epidemiológico observacional retrospectivo a partir de dados presentes nos prontuários de pacientes diagnosticadas com câncer do colo uterino registradas no arquivo da LMECC e do Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM). Os dados foram registrados em Planilhas Google® e analisados a partir do programa programa estatístico Jasp versão 0.17.2.0, utilizando a estatística inferencial por meio do teste qui-quadrado e da regressão logística, além de Kaplan-Meier para análise da sobrevida. Foram identificados 338 prontuários, dos quais 190 foram excluídos do estudo. Dos 148 prontuários analisados, a mediana de idade no diagnóstico foi de 52 anos e a mediana de seguimento clínico foi de 29,5 meses. Quanto a hábitos comportamentais, apenas 34,5% não eram tabagistas nem etilistas O principal estádio clínico agrupado encontrado foi o IIIC1 (26,4%) e patológico agrupado foram os IB e IIA (ambos com 8,1%). A medida de tratamento mais utilizada foi a radioquimioterapia neoadjuvante. Foi obtido resposta completa em 74,2% dos pacientes que realizaram o tratamento neoadjuvante e 69 óbitos por câncer entre os 148 pacientes, obtendo-se a mediana estimada de 52 meses de sobrevida. Observou-se concordância dos resultados obtidos com as bibliografias mais atuais sobre o tema, sendo possível correlacionar os fatores de risco bem estabelecidos, como baixo nível socioeconômico e de escolaridade, com o desenvolvimento do câncer. Ademais, a idade de diagnóstico tardia e a predominância de estádios mais avançados demonstram a falha de rastreio e diagnóstico precoce do câncer de colo uterino em Mossoró, especialmente nas áreas rurais e cidades ao redor. Portanto, mostra-se necessária a implementação eficaz dos métodos de rastreio de câncer do colo uterino já propostos pelo SUS para identificar formas precoces, bem como lesões pré-neoplásicas, permitindo implementar tratamento em fases iniciais e determinando melhor prognóstico e menores gastos à Saúde Pública.

