Microplásticos em Crassostrea sp. (Mollusca: Bivalvia) do estuário do Rio Cocó, Fortaleza, Ceará
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Os plásticos são os resíduos poluentes mais comuns encontrados no ambiente natural. Em ambiente marinho, após sofrer com a abrasão das ondas e dos raios solares, esse material se fragmenta em pequenas partículas conhecidas como microplásticos. Por seu tamanho pequeno (1μm - 5000μm), os microplásticos se acumulam em vários compartimentos marinhos, como sedimento, água e biota, entrando nas cadeias alimentares através do processo de bioacumulação e biomagnificação. Dentre os organismos que acumulam microplásticos em seus tecidos estão os bivalves, organismos de grande relevância ecológica e econômica e que, devido aos efeitos negativos dos microplásticos, sua contaminação pode ser uma grande ameaça para biodiversidade e para a segurança alimentar humana. Assim, este trabalho teve como objetivo avaliar a presença de microplásticos em ostras (Crassostrea sp.) coletadas no estuário do rio Cocó (Fortaleza, Ceará). Os animais foram coletados trimestralmente durante um ano, de forma manual, nas raízes de Rhizophora mangle e nas pilastras da ponte sobre o Rio Cocó. Posteriormente, os organismos foram submetidos ao processo de digestão/filtragem para separação das partículas de microplásticos. Os microplásticos presentes nas amostras foram identificados e separados em categorias de acordo com a cor, formato e tamanho. Os resultados revelaram que 53% dos indivíduos apresentaram microplásticos em seus tecidos. As partículas encontradas foram classificadas em fibras (57%), filmes (38%) e fragmentos (5%), com tamanhos entre 0,10 mm e 4,44 mm. Os resultados revelaram também os animais com maior peso tendem a acumular microplásticos maiores. Embora pioneiro na região estudada, esses resultados se assemelham a outros já encontrados na literatura, o que denota uma necessidade de desenvolver estratégias eficientes de conservação focados na poluição plástica em ambientes estuarinos, uma vez que a presença de microplásticos nos animais pode trazer efeitos negativos para biodiversidade. Além disso, acende um alerta sobre a segurança alimentar, tendo em vista que muitas pessoas utilizam desses organismos para subsistência, seja para consumo local ou para venda.
