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Adaptabilidade de isolados de Chaetomium spp.: temperatura, pH e salinidade

Abstract

O semiárido brasileiro apresenta condições edafoclimáticas adversas, como altas temperaturas, limitação hídrica e salinidade do solo, que influenciam na produtividade agrícola. Diante desse cenário, a identificação e caracterização de fungos nativos tolerantes a múltiplos estresses abióticos constitui uma etapa essencial para o desenvolvimento de tecnologias biológicas adequadas às demandas da região. Este trabalho teve como objetivo avaliar a adaptabilidade fisiológica de seis isolados de Chaetomium spp. (ISO24, ISO72, ISO108, ISO132, ISO160, ISO205), nativos do semiárido potiguar, frente a diferentes níveis de temperatura, pH e salinidade. Ensaios in vitro foram conduzidos em delineamento inteiramente casualizado, e o crescimento micelial foi analisado sob gradientes de temperatura (10 a 45 °C), pH (5,0 a 9,0) e salinidade (0 a 1000 mM NaCl), com posterior aplicação de ANOVA e regressões polinomiais. Os isolados apresentaram comportamento mesofílico a termotolerante, com temperaturas ótimas variando entre 32,58 e 33,29 °C e sobrevivência fungistática a 45 °C. Todos os isolados exibiram ampla tolerância ao pH, com crescimento em condições ácidas, neutras e alcalinas, apresentando valores de pH ótimo variando entre 6,56 e 8,90. Os pontos ótimos de crescimento foram observados em 6,56 (I108), 6,64 (I72), 7,22 (I32), 7,53 (I160), 7,61 (I205) e 8,90 (I24) Em relação à salinidade, houve redução progressiva do crescimento micelial com o aumento da concentração de NaCl, embora todos os isolados tenham mantido a viabilidade em 1000 mM, caracterizando halotolerância. Destacaram-se o ISO160, mais tolerante sob múltiplos estresses, e o ISO24, adaptado à alcalinidade. Conclui-se que os isolados avaliados apresentam mecanismos fisiológicos eficazes de tolerância térmica e osmótica, configurando-se como isolados promissores para o desenvolvimento de bioinsumos adaptados às condições agrícolas do semiárido.



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