Ação de atenuadores na atividade antioxidante e tolerância de cultivares de abóbora submetidas aos estresses abióticos
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A abóbora (Cucurbita moschata Duch) e abobrinha (C. pepo L.) são cucurbitáceas de grande importância socioeconômica no Brasil. Os estresses abióticos estão entre os principais fatores que reduzem a produção, especialmente nas fases iniciais da planta. Dessa forma, técnicas para mitigar os efeitos desses estresses são essenciais para a máxima eficiência produtiva. Com isso, objetivou-se avaliar o efeito de atenuadores de estresse no pré-tratamento de sementes na tolerância de cultivares de abóbora a estresses abióticos, visando melhorar a germinação e o crescimento das plantas e desenvolver estratégias para a seleção assistida por marcadores bioquímicos e enzimáticos. A pesquisa foi conduzida em dois experimentos, cada um estruturado em duas etapas. Ambos os experimentos utilizaram o delineamento inteiramente casualizado, com quatro repetições de 25 sementes. Na primeira etapa de ambos os experimentos, utilizou-se o esquema fatorial 3 × 6. O primeiro fator correspondeu aos níveis de déficit hídrico de 0,0; -0,15 e -0,3 MPa de polietilenoglicol (PEG 6000) e estresse salino (0,0; -0,2 e -0,4 MPa) induzidos por cloreto de sódio (NaCl), enquanto o segundo fator pelas seis cultivares de Cucurbita spp., sendo cinco de abóbora (Tetsukabuto, Soberana, Kin, Bahiana Tropical e Sergipana) e uma abobrinha (Adele). Já na segunda etapa, adotou-se o esquema fatorial 2 × 6, considerando no fator I, duas cultivares selecionadas na fase anterior (uma sensível e outra tolerante). O segundo fator correspondeu às combinações entre déficit hídrico e os atenuadores: T1 = 0,0 MPa (controle); T2 = -0,15 MPa (déficit hídrico); T3 = -0,15 MPa + hidrocondicionamento (8 horas); T4 = -0,15 MPa + ácido giberélico; T5 = -0,15 MPa + ácido ascórbico; e T6 = -0,15 MPa + ácido salicílico. Já para a salinidade os tratamentos aplicados foram: T1 = 0,0 MPa (controle), T2 = -0,4 MPa (salinidade), T3 = -0,4 MPa + hidrocondicionamento (8 horas), T4 = -0,4 MPa + ácido giberélico, T5 = -0,4 MPa + ácido ascórbico e T6 = -0,4 MPa + ácido salicílico. Na primeira etapa de ambos os ensaios foram avaliadas a germinação, índice de velocidade de germinação, comprimento e massa seca da parte aérea e raízes de plântulas, aminoácidos livres totais, prolina, açúcares solúveis totais e citrulina. Na segunda etapa, além das variáveis já mencionadas anteriormente, avaliou-se os conteúdos de peróxido de hidrogênio e malondialdeído, e as atividades antioxidante das enzimas superóxido dismutase, catalase e ascorbato peroxidase. As condições de estresse causaram redução na germinação, crescimento e biomassa das cultivares, indicando seus efeitos nocivos. As cultivares Tetsukabuto e Adele foram escolhidas como a mais sensível e tolerante, respectivamente, para ambos os tipos de estresse. Por outro lado, os tratamentos pré-germinativos reduziram os efeitos nocivos e aumentaram o vigor e o desempenho das plântulas. Dentre os atenuadores, o ácido giberélico destacou-se por aumentar o comprimento radicular e a biomassa seca das raízes, com incremento de até 311,4% sob déficit hídrico e expressivo crescimento em condições salinas. O ácido salicílico e o ácido ascórbico reduziram os danos oxidativos, promovendo menor acúmulo de peróxido de hidrogênio e maior recuperação da parte aérea. Os resultados sugerem que os estresses hídrico e salino influenciaram de forma semelhante o metabolismo antioxidante das plantas, prejudicando processos fisiológicos e bioquímicos fundamentais para o desenvolvimento inicial. No entanto, a aplicação de atenuadores, especialmente ácido giberélico e ácido salicílico, associada à seleção de cultivares tolerantes, mostrou-se eficaz na mitigação desses estresses. Conclui-se que os estresses hídrico e salino afetaram a germinação, crescimento e metabolismo das cultivares de abóbora. A cultivar Adele, tratada com ácido giberélico, mostrou maior tolerância, enquanto na Tetsukabuto, o hidrocondicionamento e os ácidos ascórbico e salicílico favoreceram a formação de plântulas, destacando o potencial da seleção assistida por marcadores para identificar genótipos mais adaptados a condições adversas.

