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Gestão e racionalidades: uma análise crítica das abordagens de gestão socialmente orientadas no contexto contemporâneo

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A presente dissertação discute criticamente as abordagens de gestão socialmente orientadas em contexto contemporâneo, investigando seu posicionamento em um espectro que varia entre emancipação social radical e reprodução sistêmica da lógica capitalista. Reconhecendo que as práticas de gestão são atravessadas por tensões entre racionalidade instrumental e substantiva, a pesquisa propõe um quadro analítico capaz de identificar as premissas, práticas e resultados sociais declarados e efetivos dessas abordagens. Para tanto, foram analisados sistematicamente 75 artigos científicos publicados entre 2015 e 2025, acessados via Portal de Periódicos CAPES, distribuídos entre responsabilidade social corporativa (28 artigos), gestão social (19 artigos), economia solidária (14 artigos), governança ambiental, social e corporativa (9 artigos) e economia circular (5 artigos). A metodologia adotada é qualitativa e bibliográfica, orientada por uma perspectiva crítica fundamentada nos Estudos Críticos em Administração. As análises foram realizadas a partir das dimensões teóricas de propósito não performático, visão desnaturalizadora, reflexibilidade epistemológica e busca emancipatória, conforme sistematizado por autores como Guerreiro Ramos (1989), Fournier e Grey (2000), Alvesson e Willmott (1992) e Davel e Alcadipani (2003). Os resultados indicam que a racionalidade instrumental permanece hegemônica nas práticas e discursos dos modelos de RSC, ESG e economia circular, nos quais os aspectos sociais e ambientais são frequentemente apropriados como ferramentas para legitimidade organizacional, mitigação de riscos e ganhos competitivos, atuando mais como mecanismos de adaptação do capitalismo do que como projetos emancipatórios. Em contrapartida, as abordagens de gestão social e economia solidária apresentam maior alinhamento com a racionalidade substantiva, evidenciando compromisso mais consistente com valores éticos, participação coletiva, cooperação e autonomia. Contudo, mesmo nesses campos, práticas emancipatórias coexistem e se tensionam com processos de captura institucional e adaptação à lógica mercadológica, configurando um campo híbrido e contraditório. A dissertação destaca que as abordagens sociais de gestão não devem ser compreendidas de maneira dicotômica, pois expressam uma pluralidade de racionalidades que coexistem e se enfrentam dentro das relações organizacionais e sociais. Embora modelos como gestão social e economia solidária manifestem potencial transformador, sua efetividade está condicionada às contradições estruturais do capitalismo contemporâneo, que impõem limites à ampliação da autonomia e da justiça social. A contribuição do estudo reside na elaboração de um instrumento analítico que permite situar criticamente diferentes formas de gestão socialmente orientadas, fornecendo subsídios para o debate ético e político sobre o papel da administração na promoção da emancipação social. O trabalho também ressalta que a superação das formas hegemônicas de racionalidade instrumental demanda transformações profundas nas bases epistemológicas, políticas e organizacionais da gestão contemporânea.



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