Prazer, Bilica! História de vida, afeto e prostituição
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Esta dissertação propõe uma escuta sensível e comprometida, com o objetivo de historicizar a trajetória de Bilica: mulher, idosa, ex-prostituta e proprietária de cabaré, figura emblemática da prostituição na cidade de Mossoró/RN. A análise busca apreender Bilica como figura pública, explorando dimensões de resistência, estigma e processos de subjetivação no contexto da prostituição e da marginalidade. A pesquisa se ancora na metodologia da história oral de vida, conforme delineada por José Carlos Sebe Bom Meihy (2002) e Verena Alberti (2013), para construir uma narrativa que ultrapassa o estigma social associado ao meretrício, dando lugar aos afetos, às estratégias de resistência e às formas de reinvenção subjetiva que emergem das bordas sociais. Mais do que um relato biográfico, trata-se de uma escrita orientada por uma análise do discurso, atenta à singularidade da fala, aos silêncios e aos gestos cotidianos que tensionam os dispositivos de poder e os regimes de verdade. Os conceitos mobilizados ao longo da análise foram manejados a partir da metáfora da “caixa de ferramentas”, proposta por Michel Foucault e Gilles Deleuze (2021), que compreende a teoria não como estrutura fixa de ancoragem, mas como conjunto de instrumentos analíticos a serem utilizados de forma tática e situada. Nessa perspectiva, foram acionados, a partir da leitura dos dados, contribuições de Michel Foucault (1996, 2014, 2021, 2023 a), Deleuze e Guattari (1995, 2010) Baruch Espinosa (1984), Butler (2023), Jeanne Marie Gagnebin (2006), Saffiotti (1987, 2015) cujas ideias auxiliaram a tensionar os dispositivos de poder, os afetos e os modos de subjetivação que emergem da história contada. Entre lembranças, marcas e deslocamentos, Bilica não fala apenas de si, mas da complexa relação entre vida, exclusão e dignidade em contextos atravessados pela moral patriarcal. Esta escrita, situada no campo dos afetos e da ética da escuta, constitui um gesto de legitimação de saberes e experiências historicamente silenciadas.

