A psicanálise como alicerce no cuidado à maternidade atípica: desafios, acolhimento e ressignificação
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Este artigo discute como a psicanálise pode sustentar, clínica e eticamente, o cuidado à maternidade atípica, entendida aqui como a experiência de maternar crianças com deficiências, condições crônicas, prematuridade ou necessidades complexas de cuidado. Usando referências clássicas (Winnicott e Bion) e literatura brasileira recente, argumenta-se que a escuta psicanalítica oferece um campo de elaboração do luto pelas idealizações, de manejo da culpa e da ambivalência, e de construção de uma identidade materna suficientemente boa em contextos de alto estresse. Articulam-se os conceitos de ambiente facilitador, sustentação (holding), manejo (handling) e apresentação de objeto (Winnicott), bem como função alfa, rêverie e continente–contido (Bion), com evidências e debates contemporâneos sobre idealizações da maternidade e redes de apoio. Apontam-se implicações clínicas (setting mãe-bebê, interconsulta, rede intersetorial), limites e indicações de cuidado compartilhado com a psiquiatria quando necessário.

