Dinâmica de nutrientes e metais em neossolo submetido a irrigação com água produzida de petróleo e biochar
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O aproveitamento de água produzida de petróleo tratada (APP) na irrigação de cultivos energéticos pode representar alternativa em regiões semiáridas, porém sua elevada carga iônica pode intensificar processos de salinização/sodificação e alterar a mobilidade de elementos químicos no perfil de solos arenosos. Nesse sentido, esse trabalho avaliou a interação solo-biochar-APP utilizando-se de colunas de solo. O experimento foi conduzido em casa de vegetação na Universidade Federal Rural do Semi-Árido campus Mossoró, em colunas de PVC de 100 mm, preenchidas com solo estratificado nas camadas 0–0,30; 0,30–0,60; 0,60–0,90 m, com irrigação por gotejamento durante 60 dias. Adotou-se delineamento em blocos casualizados no esquema fatorial 3×2×2, tendo três perfis; duas águas: água produzida de petróleo proveniente da bacia potiguar e água de abastecimento oriunda do sistema de abastecimento e dois níveis de biochar: B0 – 0 Mg ha-1 e B1 - 10,8 Mg ha-1, com três repetições. O biochar foi produzido com resíduos de macaxeira e incorporado na camada 0–0,30 m. Solo, água e lixiviados foram caracterizados ao longo do período experimental (pH, condutividade elétrica, íons e metais) e interpretados por análises multivariadas (correlação de Pearson e análises de componentes principais, fatorial e de agrupamento). Os resultados indicaram que a água produzida de petróleo impôs aumento expressivo da salinidade e maior heterogeneidade temporal/química do lixiviado em comparação à água de abastecimento. No lixiviado, observaram-se eixos que separam um regime bicarbonatado-carbonatado associado a Ca–HCO₃⁻ de um regime salino mais conservativo associado a Na, Cl⁻ e NO₃⁻, além de pulsos de metais/micronutrientes em fases iniciais de alguns perfis. O biochar alterou a dinâmica iônica, elevando a contribuição de bases e solutos associados ao material e influenciou a trajetória multivariada do lixiviado, porém com efeito dependente do perfil e do tempo, sem eliminar o avanço da composição salina de APP. Conclui-se que o uso da água produzida de petróleo na irrigação de solo arenoso requer controle rigoroso da qualidade da água e do manejo de lixiviação, e que o biochar pode atuar como condicionante com potencial mitigador, mas de resposta variável e temporalmente dinâmica.

