Agressividade tributária nas companhias brasileiras lideradas por CEOs narcisistas: a governança corporativa exerce papel moderador?
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A existência de traços narcisistas de diretores executivos (CEOs) é constantemente associada ao gerenciamento de resultados financeiros das corporações. A manipulação de relatórios, propensão a riscos altos, necessidade de reconhecimento e atitudes antiéticas são vistas como características de um CEO narcisista. Assim, este estudo analisa se os diretores executivos de alto escalão das empresas brasileiras de capital aberto impactam nos níveis de agressividade tributária, e o papel moderador da governança corporativa nessa relação. Os dados resultaram em um painel com 418 observações de 69 empresas brasileiras de capital aberto, extraídos da plataforma Refinitiv Eikon. Os níveis de narcisismo foram mensurados por meio da análise dos pronomes proferidos em discursos de CEOs. A agressividade tributária foi medida pelas proxies Effective Tax Rates (ETR) e Cash Effective Tax Rates (Cash ETR). No teste de hipóteses, foram utilizados modelos de regressão robustos. Os resultados são controversos à literatura e demonstram que, no contexto considerado, CEOs narcisistas das empresas da amostra não tendem a adotar práticas mais agressivas de gestão dos tributos sobre o lucro e a pontuação de governança corporativa não mostrou significância nos modelos de regressão rodados. Portanto, as hipóteses de pesquisa foram rejeitadas. Os achados adversos desta investigação sugerem que, no contexto brasileiro, líderes com traços narcisistas também podem estar propensos a esquivar práticas arriscadas de gestão tributária para manter uma boa imagem perante os stakeholders.

