Narrativas de estudantes surdos da Ufersa: esperiências com a Língua Brasileira de Sinais (Libras) no ambiente hospitalar
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A importância da acessibilidade linguística para a comunidade surda é reconhecida por Lei, todavia a adaptação nos sistemas e serviços de saúde ainda são limitados. A falha na comunicação tornou-se um dos principais retrocessos na autonomia desses cidadãos, e é a partir desse contexto que a presente pesquisa tem o objetivo de analisar o que narram estudantes surdos da Universidade Federal Rural do Semi-Árido (UFERSA), Campus Caraúbas, Rio Grande do Norte-RN, acerca de suas experiências no atendimento médico- hospitalar. Este estudo centra-se, portanto, nas experiências de pessoas surdas, indagando sobre suas vivências durante o atendimento médico-hospitalar, o que nos contam? Esses espaços são pensados no âmbito inclusivo? Questionamos, ainda, se de fato existe inclusão social quando o indivíduo surdo necessita de cuidados de saúde. Além disso, buscamos identificar se os serviços de saúde estão adequadamente adaptados para atender os usuários surdos, considerando a importância da acessibilidade linguística. Legalmente, a Constituição Federal de 1988 consolida e assegura como direitos humanos fundamentais a Saúde e a Educação (Brasil, 1988). A Lei de Língua Brasileira de Sinais (Libras) N° 10.436/2002 em consonância com o Decreto 5.626/2005 regulamenta e legaliza a promoção da inclusão para os surdos nos espaços sociais (Brasil, 2002- 2005). Os principais autores que fundamentam a pesquisa são: Quadros (1997), Rocha e Passeggi (2017), Lopes; Abreu (2017) e Strobel (2015). Ancoramo-nos em princípios da abordagem qualitativa (Bogdan e Biklen, 2002) e na Pesquisa (Auto)biográfica em Educação, como procedimentos realizamos entrevistas narrativas sinalizadas Rocha; Fagundes (2010) e analisamos os dados, conforme orientam Jovchelovitch e Bauer (2002), com a análise temática. Temos como lócus a Ufersa Caraúbas e como participantes quatro estudantes surdos do Curso de Licenciatura em Letras Libras. Os resultados mostram que os estudantes surdos expressam uma profunda insatisfação com a disponibilização dos serviços de saúde, pois além de se depararem sempre com a dependência de um familiar para intermediar a comunicação com os profissionais de saúde, enfrentam as barreiras do preconceito, reafirmando, por vezes, a exclusão e o desprezo pelas suas subjetividades. Pudemos evidenciar, ainda, o quanto os atendimentos aos surdos são precários, e que é urgente o desenvolvimento e a efetivação de ações inclusivas que contemplem as reivindicações do povo surdo, como qualificação para os profissionais de saúde, disponibilização de materiais informativos adaptados, bem como a contratação de intérpretes de Língua brasileira de sinais (Libras) por parte do poder público e de instituições privadas, para atuar em ambientes hospitalares. De tal modo, promover acessibilidade linguística, independência e a autonomia que a comunidade surda tem o direito e tanto luta para conquistar.
