Seletividade de herbicidas aplicados em pós-emergência na cultura da cebola em semeadura direta
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A cebola é altamente sensível à interferência de plantas daninhas, especialmente em sistemas de semeadura direta, devido ao seu crescimento inicial lento e à baixa capacidade competitiva. O uso de herbicidas representa uma alternativa mais eficiente e econômica do que a capina manual, porém seu uso seguro requer atenção à seletividade da cultura. Considerando que a resposta da cebola aos herbicidas depende tanto da dose quanto do estádio fenológico no momento da aplicação, torna-se essencial investigar combinações adequadas entre épocas e doses que minimizem os riscos de fitointoxicação e garantam o sucesso do manejo químico, sem perdas de produtividade e qualidade dos bulbos. Diante disso, o objetivo deste estudo foi avaliar a seletividade de herbicidas aplicados em pós-emergência na cultura da cebola. Cinco experimentos foram realizados concomitantemente em condições de campo no município de Mossoró (RN), Brasil. Cada experimento correspondeu a um herbicida: flumioxazina, oxadiazon, oxyfluorfen e pedimentalina. O delineamento utilizado foi em blocos casualizados, com três repetições para cada herbicida. Cada experimento constou de 15 tratamentos, correspondendo a aplicações de doses fracionadas e cheias aplicadas sequencialmente em diferentes estágios, além de uma testemunha sem aplicação de herbicida. Foram avaliadas a fitointoxicação de cada tratamento e a produtividade, por meio da classificação, contagem e pesagem dos bulbos. Todos os herbicidas apresentaram seletividade para a cebola. A flumioxazina apresentou sintomas leves a moderados até 30 g i.a. ha⁻¹, sendo tolerada pela cultura. O oxadiazon foi seletivo até a dose de 250 g i.a. ha⁻¹, com sintomas leves e sem impacto na produtividade. O oxyfluorfen foi seletivo até 129 g i.a. ha⁻¹, especialmente quando aplicado em estádios mais avançados e com uso de doses fracionadas. A pendimetalina mostrou-se seletiva em todas as doses testadas (910 a 2730 g i.a. ha⁻¹), com sintomas leves e recuperação completa das plantas. Em todos os experimentos, a predominância de bulbos da Classe 3 evidenciou boa qualidade comercial da cebola após o uso dos herbicidas. Os herbicidas avaliados podem ser utilizados como ferramentas viáveis no manejo de plantas daninhas na cultura da cebola, desde que seja respeitado o posicionamento técnico de dose e época de aplicação, especialmente em regiões de clima semiárido.

