Decisão administrativa e digitalização em saúde: prontuário eletrônico do paciente em clínicas privadas de Mossoró/RN
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A transformação digital impõe novos imperativos à gestão em saúde, demandando das organizações privadas a adoção de tecnologias que otimizem processos e assegurem a conformidade com a legislação de proteção de dados. Nesse contexto, o Prontuário Eletrônico do Paciente (PEP) consolida-se como uma ferramenta estratégica, embora sua implementação em clínicas privadas de cidades médias do interior do Nordeste, como Mossoró/RN, enfrente desafios complexos. Este estudo teve como objetivo analisar os fatores que influenciam a decisão administrativa pela adoção do PEP, utilizando como referencial teórico a Teoria da Decisão de Herbert Simon, com ênfase nos conceitos de racionalidade limitada e satisficing. Trata-se de uma pesquisa qualitativa, exploratório-descritiva, baseada na realização de entrevistas semiestruturadas com dez gestores de clínicas privadas de médio e grande porte. Os dados foram tratados mediante a técnica de Análise de Conteúdo temático-categorial (Bardin, 2016), que permitiu a identificação de categorias centrais. Os resultados demonstram que a decisão é multifatorial, influenciada por motivadores estratégicos (modernização, competitividade), econômicos (avaliação de custo-benefício) e institucionais (conformidade com a LGPD - Lei Geral de Proteção de Dados). As principais barreiras residem nos custos de implantação, na resistência cultural de profissionais e nas limitações de infraestrutura técnica. Identificou-se que 90% das clínicas entrevistadas já adotam o PEP em algum nível, sendo que 40% operam com sistemas híbridos – um indicativo claro do comportamento satisficing, no qual os gestores buscam soluções viáveis e "boas o suficiente" frente a restrições contextuais. Conclui-se que o processo decisório é marcado pela racionalidade limitada, onde os gestores ponderam custos, benefícios e riscos em um ambiente de informação incompleta. A pesquisa contribui para o campo ao aplicar a Teoria da Decisão a um contexto regional específico, oferecendo subsídios tanto para a prática gerencial quanto para a formulação de políticas públicas de saúde digital no interior do Brasil.

