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Ocorrência de microplásticos no bivalve Tagelus plebeius (LEGFOOT, 1786) em um estuário urbanizado do nordeste do Brasil

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A poluição marinha tem sido amplamente estudada e a maior parte dos resíduos encontrados no oceano é advinda do plástico. Com o tempo, os plásticos maiores vão sofrendo degradação e formando pequenas partículas chamadas de microplásticos, que acumulam-se no ambiente. Os microplásticos (MPs) são extremamente nocivos, pois podem ser ingeridos por organismos e passar para diferentes níveis tróficos, inclusive para seres humanos. Um dos compartimentos onde os microplásticos podem se acumular é em organismos filtradores como os bivalves, comprometendo a biodiversidade e a segurança alimentar humana, particularmente quando as espécies são utilizadas no consumo humano. Assim, este trabalho teve como objetivo identificar, quantificar e caracterizar microplásticos no bivalve Tagelus plebeius, coletados no estuário do Rio Cocó, Fortaleza – CE. Os resultados revelaram que 60% dos animais coletados entre abril de 2022 e fevereiro de 2023 estavam contaminados com uma ou mais partículas de MPs, dentre elas filmes (71,2%) e fibras (28,8%). As fibras foram encontradas em cores diversas (azul, vermelho, rosa, preto e roxo) e os filmes transparentes. Os tamanhos dos microplásticos variaram entre 285,4μm e 3841,2μm, com tamanho médio de 1924,2μm. A densidade média de MPs foi de 0,73 partículas por indivíduo e 0,94 de MPs por peso úmido. Finalmente, foi verificado que houve variação sazonal nos MPs somente no mês mais chuvoso (Abril/2022), com uma menor quantidade de Mps nos animais coletados. Levando em consideração que a espécie T. plebeius é utilizada para alimentação em restaurantes e que cada porção leva cerca de 20 indivíduos, uma porção servida tem 14,6 mp e se houver consumo diário, a ingestão de MPs poderia atingir 5.329 MPs por ano. Os resultados evidenciaram, pela primeira vez, a poluição por microplásticos em T. plebeius. Estudos como estes destacam a importância de monitoramentos constantes de MPs em manguezais e acende um alerta sobre a contaminação dos estuários do Nordeste do Brasil e sobre a segurança alimentar humana.



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