O que separa os homens dos meninos: o contexto das facções criminosas no sistema socioeducativo brasileiro
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As facções criminosas, originalmente criadas como uma resposta à constante violação dos direitos humanos nas prisões brasileiras, evoluíram para se tornar uma preocupante realidade que impacta a segurança e a estabilidade do país. Embora inicialmente seu domínio estivesse restrito ao sistema penitenciário, a natureza territorialista dessas organizações possibilitou a expansão de suas atividades para todos os estados brasileiros, atraindo diversos grupos sociais em situação de vulnerabilidade devido à negligência estatal. Dentro deste quadro, o envolvimento de jovens brasileiros com essas facções já é uma triste realidade, especialmente quando se trata de adolescentes em conflito com a lei. Apesar das mudanças significativas na abordagem estatal em relação à internação de jovens infratores, promovidas pela implementação do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) e a criação do Sistema Nacional de Atendimento Socioeducativo (SINASE), a vinculação desses adolescentes com as facções criminosas tem um impacto direto na aplicação dos princípios, regras e diretrizes do SINASE. Isso resulta na perpetuação da violência e da criminalidade dentro dessas instituições socioeducativas. Nesse contexto, este trabalho tem como objetivo examinar como as facções criminosas afetam a implementação do SINASE em âmbito nacional, bem como compreender como o Poder Público pode inadvertidamente contribuir para essa realidade preocupante. Para alcançar esses objetivos, adotou-se a metodologia de análise bibliográfica, com abordagem exploratória e qualitativa. Foram consultados autores que abordaram temas relacionados à socioeducação, facções criminosas e ao processo peculiar de desenvolvimento de crianças e adolescentes. Os resultados desta pesquisa destacam a necessidade urgente de políticas públicas mais eficazes e ações coordenadas entre as autoridades para combater a influência das facções criminosas no sistema socioeducativo. A compreensão dessa interação complexa é essencial para a proteção dos direitos das crianças e adolescentes, bem como para a construção de um ambiente de reeducação que promova a ressocialização e a reinserção saudável desses jovens na sociedade.
