Entre telas e infâncias: uma reflexão sobre o tempo de tela não direcionado e seus impactos no desenvolvimento de crianças de 4 a 5 anos a partir da percepção das famílias
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O presente trabalho buscou investigar a percepção das famílias acerca dos impactos do tempo de tela não direcionado no desenvolvimento emocional e cognitivo de crianças de 4 a 5 anos, residentes na cidade de Angicos/RN. Diante da digitalização que atravessa as “novas infâncias” contemporâneas, o estudo procurou compreender, sob o olhar das famílias, como ocorre a qualidade e a intencionalidade do uso das telas. Adotou-se uma abordagem qualitativa, de caráter exploratório e descritivo, a partir de pesquisa de campo com aplicação de questionário semiestruturado via Google Forms e posterior análise de conteúdo dos dados obtidos com quatro famílias participantes. Os resultados indicam que as telas estão profundamente integradas ao cotidiano infantil, com 75% das crianças excedendo o tempo de exposição recomendado e utilizando dispositivos, em grande parte, como recurso para regulação emocional. Os responsáveis relataram mudanças comportamentais negativas associadas ao uso frequente, sobretudo dificuldade de concentração, irritabilidade e reações como choro e agressividade diante da restrição. Conclui-se que o tempo de tela não direcionado está fortemente associado à desregulação emocional e a desafios de atenção na primeira infância, em consonância com recomendações da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) e com a literatura da área. O estudo destaca que o principal desafio não é a tecnologia em si, mas a ausência de mediação ativa, intencionalidade e alternativas concretas de atividades, ressaltando a importância do direcionamento familiar - evidenciada pelo desejo unânime das famílias em receber orientações sobre práticas digitais saudáveis.

