Cultura da voz que constrói: territorialidade e paisagem da comunidade Pé de Serra - RN
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Este trabalho investiga as territorialidades da comunidade Sítio Pé de Serra, em Doutor Severiano – RN. Por meio desta pesquisa torna-se claro que territorializar um lugar é torná-lo parte de quem você é, refletindo modos de vida, conexão com a natureza e as relações sociais, políticas e econômicas dos diferentes povos que vivem em comunidade. Nessa direção, o objetivo principal é produzir um estudo teórico sobre o papel da cultura na formação do território, do lugar, da arquitetura residencial e das paisagens do “rezar, cantar e recitar” da comunidade Pé de Serra. Vale reforçar que o foco é interdisciplinar, no qual a arquitetura e o urbanismo dialogam com a história, antropologia e geografia humana. A ideia é verificar como a memória e a cultura da voz ressignificam e entrelaçam no corpo a poética do território e paisagens, tendo como base a materialidade espacial e as práticas da cultura imaterial exercidas no lugar. Destacam-se as abordagens de Martins (2021), Santos (2002-2007), Haesbaert (2017), Bosi (2003), Arraes (2017-2024), Goulart (2017), Brasil (1988), Winter (2007), Lynch (1960), Del Rio (1990) e Cullen (1961). Somam-se os fundamentos dos estudos decoloniais levados a cabo por Sousa Santos (2007) e Rollot (2024). Como métodos para o processo de rememoração do povo de Pé de Serra, foram produzidos mapas temáticos reforçando os costumes culturais, levantamentos fotográficos da paisagem e elaboração de layouts das residências dos moradores, além de pesquisas bibliográficas. Trata-se, assim, de abordagem qualitativa, de caráter exploratória, descritiva e explicativa. Como um livreto de cordel, simples e encantador, essa pesquisa devolve a história de territórios e paisagens para o povo, baseando-se no pensamento decolonial/contracolonial que respeita todas as formas de conhecimento.

