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Avaliação do uso de plantas medicinais e fitoterápicos para afecções relacionadas à saúde da mulher: visão de profissionais e usuárias da Atenção Primária à Saúde

Abstract

Plantas medicinais são usadas como alternativa terapêutica para o tratamento de diversas afecções femininas. Assim, objetivou-se avaliar o uso de plantas medicinais e fitoterápicos para afecções da saúde feminina por usuárias da Atenção Primária à Saúde de Mossoró-RN, bem como sua prescrição por profissionais médicos e enfermeiros. Os dados foram coletados através da aplicação de questionários semiestruturados a 100 usuárias e a 19 profissionais de 11 Unidades Básicas de Saúde de Mossoró. Constatou-se que 74% das usuárias entrevistadas fazem uso de plantas medicinais, enquanto 54% as utilizam para afecções relacionadas à saúde da mulher, sendo que a maioria das espécies utilizadas estão em concordância com o uso indicado na literatura. Dentre as plantas utilizadas para agravos femininos, foram citadas 21 espécies medicinais, destacando-se a ameixa (Ximenia americana) e o jucá (Caesalpinia ferrea) como a espécie mais citada e a de maior valor de uso, respectivamente. As principais indicações relatadas pelas usuárias foram infecção, inflamação, cólicas menstruais e cicatrização. A principal via de administração foi a via oral por meio de preparação por infusão. Também foi possível observar potenciais riscos, como uso de plantas medicinais contraindicadas na gravidez e lactação e o uso de garrafadas. Quanto aos profissionais, apenas 26,2% deles tiveram contato com disciplinas específicas voltadas ao ensino da fitoterapia. Esse fato, no entanto, não afetou o ato da prescrição de fitoterápicos por esses profissionais, uma vez que não houve correlação significativa entre o contato com o conteúdo de fitoterapia durante a graduação e a prescrição desses produtos (p>0,05), sendo observado que 78,9% dos profissionais afirmaram receitar produtos à base de plantas medicinais a seus pacientes e 73,6% afirmaram que a principal fonte de conhecimento sobre esse tipo de terapia foi o conhecimento popular. Além disso, destaca-se o desconhecimento e pouco uso pelos profissionais dos documentos oficiais que visam nortear o ato da prescrição de plantas medicinais e fitoterápicos, visto que apenas 26,3% afirmaram fazer uso do Memento Fitoterápico, enquanto 5,3% relataram utilizar o Formulário de Fitoterápicos. Portanto, o uso de plantas medicinais e fitoterápicos desempenha importante papel no tratamento de afecções femininas, contudo, ressalta-se a necessidade de capacitação dos profissionais visando contribuir para seu uso racional e seguro.



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