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No gabinete de um bruxo: traços da ironia romântica como procedimento narrativo em Dom Casmurro, de Machado de Assis

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0 romance Dom Casmurro (1899), de Machado de Assis, narra a trágica hist6ria de amor entre Bentinho e Capitu, partindo da grande paixão pueril ate a suposta trai<;:ao de sua esposa com o seu amigo Escobar. Esta narrativa, como tomou-se característico em sua dita fase madura, possui um narrador peculiar, dotado de uma grande liberdade, realizando frequentes intromissões, de maneira critica e reflexiva sobre a sua pr6pria obra. Isto posto, nos proporemos, neste trabalho, a observar como os comentários sobre a construção da obra se relacionam com o conceito de ironia romântica. Como aporte te6rico, alicerar-nos-emos nas ideias sobre a ironia romântica de Schlegel (1997) e na leitura de Benjamin (2018) sobre a filosofia alemã. Outros que fornecem subsídios para a discussão, são os estudiosos que se dedicaram a estudar o procedimento narrativo na literatura brasileira, a citar, Suzuki (1998), Volobuef (1999), Duarte (2006), Izolan (2006), Souza (2006) e Medeiros (2014). Baseados na leitura do romance, seleção e analise das intromissões que realiza o narrador machadiano, verifica-se que a postura critica e reflexiva, apresentam características típicas da filosofia schlegeliana, confirmando que o escritor fluminense realiza a apropriação e ressemantização do procedimento irônico de Friedrich Schlegel, fundamentando, ainda mais, a inserção de Machado de Assis na longa tradição de narradores irônicos.



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