Agricultura familiar no nordeste brasileiro e em Burkina Faso na África: intersecções e possibilidades de intercâmbios tecnológicos e na gestão social
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A agricultura familiar está no centro da segurança alimentar global. Ela é essencial para a produção local de alimentos essenciais como feijão, milho, mandioca, hortaliças e frutíferas, além da produção pecuária em baixa escala, realizados em processos produtivos que via de regra, contribuem para a preservação dos ecossistemas. Nas condições de climas semiárido e saheliano, os agricultores familiares precisam realizar cultivos de baixo impacto e com uso de variedade de culturas, nativas ou exóticas adaptadas às condições locais. O desafio, no entanto, é o manejo hídrico. As diversas técnicas de convivência com a seca, como poços artesianos, cisternas de placas, barreiros e açudes e as boas práticas de agriculturas. Assim, a pesquisa realizada tem como objetivo geral, estudar aspectos tecnológicos, comerciais e de gestão social da agricultura familiar no Nordeste do Brasil, com ênfase às áreas de clima semiárido e no país Burkina Faso, na África. A pesquisa foi direcionada em dois países com seis organizações Coopercaju, Feirinha Da Fran e Rede Xique Xique no Brasil; ARFA, AgriTerra e BioProtect no Burkina Faso. Os procedimentos metodológicos constaram do uso de instrumento de coleta de dados, entrevista semiestruturada que combina perguntas fechadas e abertas, em que o entrevistador tem a possibilidade de discorrer sobre o tema em questão sem se prender à indagação formulada para obter informações sobre o perfil do representante e dados da organização participada. Durante a entrevista, três aspectos importantes foram abordados, sendo os aspectos técnicos e produtivos, econômicos, sociais e ambientais. Assim, conclui-se que, a análise comparativa identificou organizações com elevado desempenho em integração agroecológica, diversificação produtiva e governança coletiva. No Brasil, a Rede Xique Xique apresenta elevada adoção tecnológica e diversificação hídrica. No contexto do Burkina Faso, AgriTerra destaca-se pela integração produtiva e inserção comercial ampliada. A ARFA representa um modelo de transição agroecológica progressiva. Portanto, um Modelo de Governança Rural Solidária Sul-Sul pode ser construído pelo intercâmbio técnico horizontal, que considere formação conjunta e redes cooperativas internacionais.

