Avaliação dos efeitos ambientais na prevalência de doenças em uma área urbana do semiárido brasileiro
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As doenças representam uma das principais preocupações em termos de saúde pública. Com a ocorrência crescente da degradação ambiental e com o processo de urbanização sem quaisquer mecanismos regulatórios das cidades brasileiras, a saúde da população tem tido inúmeros desafios, resultado de problemas oriundos dos diversos tipos de poluição, da insuficiência de serviços básicos de saneamento, coleta e destinação adequada dos resíduos sólidos. A fim de avaliar se, no semiárido brasileiro, a prevalência das doenças possui relação com as alterações nas condições ambientais, o presente estudo teve como objetivo principal investigar a relação entre a degradação do ambiente urbano e a sazonalidade das chuvas com a prevalência de doenças no município de Mossoró - RN. Para isso, analisamos 1495 prontuários obtidos entre agosto de 2022 e julho de 2023 na Unidade Básica de Saúde (UBS) Duclécio Antônio de Medeiros, localizada no município de Mossoró, RN, e que atende pacientes de seis microáreas. Ao todo contabilizamos 70 notificações de dez doenças distintas, incluindo doenças transmitidas por vetores, como as arboviroses (n = 5), as inflamações das vias aéreas superiores (45) e outras doenças relacionadas ao mau uso do ambiente urbano. As IVAS, com maior representatividade dos casos (64,3%) ocorreu homogeneamente ao longo de todo ano, não apresentando correlação com a sazonalidade de precipitação. Quanto às microáreas, o número de doentes registados foi proporcional ao número de consultas. Contudo, as microáreas que tiveram mais consultas eram também as áreas mais degradadas. Concluímos que, possivelmente, a baixa variação climática da região semiárida, mantendo o clima quente e seco praticamente ao longo de todo ano, pode ter influenciado para a ocorrência das IVAS de forma homogênea neste período. E que a baixa amostragem de arboviroses seja devido a uma subnotificação. Acreditamos que estudos como estes devem ser realizados buscando informações de mais anos, para tentar compreender o padrão histórico de prevalência dessas doenças, e com esses resultados propor sugestões de políticas públicas para área da saúde e do meio ambiente.
