Aspectos fisiológicos e biométricos do capim-vetiver irrigado com lixiviado de aterro sanitário e inter-relações entre atributos do solo, microestrutura e composição elementar pontual
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A geração de resíduos sólidos urbanos e sua disposição são crescentes e causam impactos. Diante disso, estratégias com o uso de espécies tolerantes a contaminantes e poluentes, como o capim-vetiver, são importantes para a biorremediação em áreas de aterros sanitários. Face ao exposto, objetivou-se avaliar aspectos fisiológicos e biométricos do capim vetiver (Chrysopogon zizanioides) irrigado com proporções de lixiviados (jovem e estabilizado), investigar as interrelações entre os atributos físico-hídricos, químicos, bem como a microestrutura e a composição elementar pontual de um Argissolo irrigado com lixiviados de aterro sanitário cultivado com capim-vetiver. Para isso, foi conduzido um experimento em delineamento em blocos casualizados (5×2), com dez tratamentos e cinco repetições. Os tratamentos consistiram em: T1 (100% água); T2, T3, T4 e T5 (5%, 10%, 15% e 20%, respectivamente, de lixiviado jovem); T6, T7, T8 e T9 (5%, 10%, 15% e 20%, respectivamente, de lixiviado estabilizado) e T10 (água mais esterco em fundação). O cultivo foi feito em vasos preenchidos com o Argissolo (com dispositivos para drenagem). Após 190 dias de cultivo, foram avaliados parâmetros fisiológicos (trocas gasosas, fluorescência da clorofila e índices de pigmentos fotossintéticos) e, aos 220 dias, os parâmetros biométricos (altura de plantas, número de perfilhos, massa fresca e massa seca da parte aérea). Ao fim do experimento, coletaram-se amostras deformadas e indeformadas do solo para análise dos atributos físicos (granulometria, densidade do solo, porosidade, estabilidade de agregados e curva de retenção de água no solo), químicos (pH, condutividade elétrica, carbono orgânico total, cátions trocáveis, capacidade de troca catiônica, saturação por bases, porcentagem de sódio trocável) e microestruturais (microscopia eletrônica de varredura associada à espectroscopia de energia dispersiva de raios X). Como principais resultados, observou-se que apenas 13% das variáveis apresentaram interação entre as diluições e os tipos de lixiviado. Portanto, a condutividade elétrica, bem como os íons e elementos potencialmente determinantes do estresse osmótico e iônico (K⁺, Na⁺, Ca²⁺, Mg²⁺, Cl⁻, CO₃²⁻ e HCO₃⁻), além de Zn, Fe e Mn, definiram ambientes osmóticos e iônicos distintos entre lixiviados e diluições, afetando de forma diferenciada a transferência de energia e a eficiência fotoquímica do fotossistema II. Isso ajuda a explicar por que as fluorescências inicial e máxima foram sensíveis à interação. Em relação ao fator isolado diluições, observouse efeito significativo em 33% das variáveis fisiológicas, com respostas detectáveis nos parâmetros transpiração, condutância estomática, eficiência do uso da água e fluorescências média e variável. O mesmo exerceu influência expressiva sobre o crescimento vegetal, uma vez que 100% das variáveis biométricas (altura de plantas, número de perfilhos, massa fresca, massa seca e porcentagem de massa seca) foram significativamente afetadas. Entretanto, ao avaliar o fator isolado tipos de lixiviado, verificou-se que apenas 13% das variáveis fisiológicas (fluorescências média e variável) e 20% das variáveis biométricas (massa fresca) apresentaram diferenças. Quanto aos atributos do solo, as maiores umidades de saturação ocorreram nos tratamentos T2 e T3, seguidos de T1, T4 e T5 do lixiviado jovem. Para os lixiviados estabilizados T9, T8, T7 e T6, observou-se a mesma tendência para as forças capilares. Foram observadas correlações positivas e negativas entre os atributos do solo. Na análise fatorial, obteve-se cinco fatores, com destaque para o pH, acidez potencial, saturação por bases, Na+, K+ e percentual de sódio trocável. As variáveis densidade do solo, areia, capacidade de campo, água disponível e Ca2+ discriminaram a água de abastecimento, ao passo que acidez potencial, silte, diâmetro médio ponderado e ponto de murcha permanente discriminaram todos os tratamentos com lixiviados jovens e o T6 (um dos tratamentos com lixiviado estabilizado). A microporosidade, condutividade elétrica, porcentagem de sódio trocável, carbono orgânico total, sódio e potássio discriminaram os lixiviados estabilizados, principalmente o T9. O tratamento água com esterco foi discriminado por argila, macroporosidade, pH, fósforo, saturação por bases, magnésio e capacidade de troca catiônica a pH=7,0. Os atributos micromorfológicos apresentaram similaridades em relação às formas, tamanhos e presença de microrganismos nos tratamentos lixiviados jovens e estabilizados. Conclui-se que houve adaptação do capim-vetiver a ambientes com diferentes níveis de contaminação por lixiviado com potencial de uso em estratégias de manejo e recuperação ambiental de áreas degradadas por resíduos sólidos urbanos. Além disso, o lixiviado jovem diferenciou principalmente a acidez potencial e a retenção de água, como também nos atributos microestruturais do solo, ao passo que o lixiviado estabilizado se associou ao aumento da salinidade/sodicidade, com impactos negativos nos atributos físico-hídricos, estruturais, microestruturais e químicos do solo, diferentemente da caracterização inicial dos lixiviados. A microestrutura, associada à análise elementar pontual, identificou a predominância de quartzo, aluminossilicatos e óxidos de Fe e Al típicos de solos intemperizados, compatíveis com a mineralogia caulinitica da classe de solo em estudo.

