Avaliação do uso de fresado em misturas asfálticas usinadas a quente no Rio Grande do Norte
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O reaproveitamento do Reclaimed asphalt pavement (RAP) em novas misturas, tem ganhado destaque devido aos benefícios ambientais e econômicos. No entanto, a sua forma de incorporação, características volumétricas e homogeneidade, podem impactar diretamente a qualidade da mistura final. Este trabalho tem como objetivo avaliar a influência do uso de material de fresagem em misturas asfálticas usinadas a quente no estado do Rio Grande do Norte, com foco em dois aspectos principais: a qualidade da mistura em função da forma de incorporação do RAP (pré-aquecido ou a frio) e os benefícios técnicos e econômicos decorrentes de sua utilização. Para isso, foram obtidos materiais como a Brita 16mm, Brita 12mm, RAP e CAP 50/70 de uma usina localizada no município de Macaíba/RN, que adota usualmente duas misturas asfálticas, uma dosagem padrão com 5% de CAP (sem RAP) e outra com um teor padrão de RAP de 8% (também sendo composta com 5% de CAP e com RAP sendo incorporado a frio). A metodologia adotada envolveu a produção de misturas asfálticas com diferentes teores de RAP (8%, 10% e 12%) e uma mistura referência sem RAP (a mesma adotada pela empresa), todas contendo 5% de CAP. As amostras foram confeccionadas em laboratório, reproduzindo as mesmas condições de temperatura utilizada pela usina. Foram consideradas duas formas de incorporação do RAP: a frio, e com pré-aquecimento, permitindo a avaliação do impacto dessa variável na qualidade da mistura asfáltica final. Os corpos de prova foram submetidos a ensaios laboratoriais para determinação das características volumétricas, além da análise do impacto econômico da substituição parcial de agregados e do CAP pelo fresado. Os resultados mostraram que o aumento do teor de RAP elevou o índice de vazios e reduziu a resistência à tração, efeito minimizado quando o material reciclado foi incorporado a quente. A Relação betume/vazios (RBV) apresentou tendência de redução com o acréscimo de fresado, especialmente nas misturas com incorporação a frio, enquanto o pré-aquecimento ajudou a preservar valores mais elevados desse parâmetro. A análise econômica indicou redução no custo da mistura com o uso do RAP, mas teores elevados podem comprometer a durabilidade e resistência mecânica da mistura. Concluiu-se, portanto, que a reutilização do fresado asfáltico é uma alternativa viável, desde que acompanhada de medidas compensatórias para garantir o equilíbrio entre desempenho e custo.

