Artefatos culturais-pedagógicos no cotidiano da educação infantil: sentidos e experiências de crianças
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Compreendemos que os Artefatos Culturais apresentam-se como produção da humanidade, e no cotidiano dos espaços e das práticas educativas, à medida em que vão sendo incluídos, utilizados e se materializam como recursos para fins didáticos, se constituem como Artefatos Culturais-Pedagógicos. Assim, os Artefatos Pedagógicos podem se apresentar como materiais estruturados e não estruturados, que ao serem possibilitados às crianças, instigam/mobilizam de modo integrado a exploração, a investigação e a descoberta em suas experiências educativas (Dantas, Silva e Dantas, 2024). Deste modo, temos nos indagado: que Artefatos Culturais-Pedagógicos constituem as experiências das crianças nas instituições educativas? Quais experiências são oportunizadas às crianças na interação com esses artefatos? São utilizados livros didáticos e cópias de atividades prontas - como são trabalhados? As crianças têm acesso aos brinquedos? Interagem com brinquedos estruturados e não estruturados em suas experiências? Partindo das questões norteadoras, delineamos como objetivo principal deste trabalho: Investigar Artefatos Culturais-Pedagógicos constitutivos das experiências vivenciadas nos currículos desenvolvidos no cotidiano da Educação Infantil a partir de sentidos elaborados pelas crianças. A pesquisa é de cunho qualitativo (Freitas, 2002) e ancora-se nos princípios da abordagem histórico-cultural de L. S. Vigotski (2007) e do dialogismo de Mikhail Bakhtin (2003). Como procedimentos metodológicos, realizamos sessões de observação participante (com registros fotográficos e anotações em diário de campo) em duas turmas, pré-escola I (4 a 5 anos) e pré-escola II (5 a 6 anos) e entrevistas coletivas semiestruturadas com as crianças. Organizamos os dados empíricos em dois grandes eixos: Artefatos Culturais - Pedagógicos da tradição escolar e Artefatos Brincantes. Na análise dos dados, as sessões de observação participante e as vozes das crianças nos revelaram que os materiais estruturados, especificamente os da tradição escolar, se presentificam, majoritariamente, na rotina diária das crianças e apresentam-se com ênfase nas experiências e práticas pedagógicas relacionadas ao trabalho com letras isoladas. As vozes das crianças, sinalizam ainda para inserção de materiais não estruturados, que emergem de práticas culturais externas à escola, mas que ganham um valor utilitário por parte do adulto educador, de modo a convertê-los em um recurso didatizante, suporte para a reprodução de experiências engessadas e que desconsideram a ação das crianças sobre e com os Artefatos Culturais-Pedagógicos mediada pela ação da brincadeira. Compreendemos que em seus discursos, os sentidos produzidos pelas crianças sobre os Artefatos Culturais-Pedagógicos não residem unicamente nos objetos em si, mas emergem das práticas, valores e interpretações que os sujeitos constroem a partir de seu uso. Concluímos, então, apontando que o estudo pode favorecer a ampliação dos debates e das práticas pedagógicas no campo da Educação Infantil, tanto em relação à formação inicial e continuada de professores(as).

