As engrenagens de poder em S. Bernardo: da dominação econômica à afetiva
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Este trabalho investiga as engrenagens do poder no romance S. Bernardo (1934), de Graciliano Ramos, analisando como a lógica de dominação do protagonista, Paulo Honório, se estende da esfera econômica à afetiva, culminando no colapso existencial do personagem. A pesquisa busca compreender de que forma o exercício contínuo de controle e vigilância sobre os trabalhadores, em especial sobre Padilha, e sobre a esposa, Madalena, revela as contradições e os limites do modelo de masculinidade autoritária encarnado por Paulo Honório. Para tanto, adota-se uma abordagem qualitativa, a partir da análise literária da obra, em diálogo com os conceitos de poder e microfísica de Michel Foucault (1979), as reflexões sobre violência de gênero de Rita Laura Segato (2025) e as contribuições da crítica literária, como as de Antonio Candido (1992). Argumenta-se que a reificação imposta aos empregados na fazenda é a mesma lógica que Paulo Honório tenta aplicar em seu casamento, tratando a esposa como uma posse. Conclui-se que o fracasso do narrador em dominar a linguagem para se justificar espelha sua própria ruína humana, transformando o romance em uma crítica contundente à lógica da posse que, ao visar o controle absoluto, destrói todas as relações e esvazia a vida de sentido.
