Mobilidade e acessibilidade como instrumentos de inclusão urbana: diretrizes para a requalificação do bairro Guajeru, Fortaleza
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A presente pesquisa analisa a mobilidade ativa e a acessibilidade universal como instrumentos para a promoção da inclusão urbana, elegendo o bairro Guajeru, situado na periferia de Fortaleza, Ceará, como recorte espacial para o desenvolvimento de diretrizes projetuais de requalificação. O estudo justifica-se pela necessidade de superação dos cenários de segregação socioespacial e vulnerabilidade estrutural característicos das bordas metropolitanas, onde a descontinuidade dos passeios públicos e a precariedade da micro infraestrutura atuam como agentes de restrição ao direito à cidade. Metodologicamente, a investigação adota uma abordagem de natureza qualitativa e aplicada, estruturada a partir da articulação entre a revisão da literatura teórica sobre caminhabilidade e desenho urbano, a análise documental da legislação urbanística municipal regulamentadora, com destaque para o Código da Cidade e o Plano de Mobilidade Urbana de Fortaleza, e a execução de levantamentos de campo voltados ao diagnóstico físico e à catalogação fotográfica do espaço caminhável. Os resultados obtidos por meio do inventário técnico evidenciam a manifestação sistemática de patologias urbanas que comprometem a autonomia e a segurança dos pedestres, classificadas metodologicamente em eixos de deficiência no saneamento ambiental, inadequação do suporte físico e das texturas de pavimentação, obsolescência do mobiliário urbano, descontinuidade na sinalização viária e fragilidades no microclima e na iluminação pública noturna. Diante do diagnóstico de ruptura da cadeia de deslocamentos, formularam-se diretrizes de desenho urbano orientadas pelos princípios do desenho universal e da moderação de tráfego, também denominada traffic calming. As propostas técnico-espaciais estabelecem a reconfiguração geométrica das vias mediante a divisão funcional das calçadas em faixas operacionais de serviço, circulação livre e acesso, além da introdução de pavimentação intertravada de concreto, sistemas de drenagem sustentável baseados em jardins de chuva e uma rede luminotécnica dimensionada em escala humana em conformidade com os parâmetros da NBR 9050. A aplicabilidade das diretrizes materializa-se na proposição de tipologias específicas adaptadas às dinâmicas locais, destacando-se a estruturação de eixos de conectividade regional em direção à Avenida Washington Soares, o reordenamento de vias de caráter comercial e residencial, e a criação de uma rota segura contínua para a interligação dos equipamentos institucionais de saúde e educação. Conclui-se que a requalificação física das vias do Guajeru, ao priorizar a escala humana e os modos ativos de transporte, configura uma estratégia para a mitigação das assimetrias socioespaciais e para a garantia da dignidade social no ambiente urbano periférico.

