Júlia Lopes de Almeida e Machado de Assis: visões sobre o adultério no século XIX
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O objetivo deste trabalho foi realizar uma análise comparativa entre os modos como as personagens protagonistas Camila e Capitu são construídas e apresentadas, no que se refere ao adultério cometido nas obras A falência ([1901] 2019), de Júlia Lopes de Almeida, e Dom Casmurro ([1899] 2019), de Machado de Assis, respectivamente. As questões aqui discutidas passam pela distinção da construção do perfil adúltero feminino nos textos narrativos selecionados. Para tal estudo, através de uma pesquisa de caráter bibliográfico, utilizando as obras literárias já mencionadas, apropriamo-nos dos conceitos de sociedade patriarcal, autoria feminina, adultério e análises de obras Realistas/Naturalistas do século XIX, abordados por autoras e autores como Beauvoir (1970), Coutinho (2004), Bosi (1994-2007), Zolin (2009- 2010), Jacome e Pagoto (2000), Araújo e Lima (2021), Tedeshi (2016), Stegagno-Picchio (2004), Rossini (2014), dentre outros pesquisadores. Ao fim do trabalho, percebe-se que a construção do perfil feminino distingue-se, nas obras analisadas, principalmente no que se refere às questões de gênero, uma vez que na escrita de Machado de Assis, a personagem é direcionada a um destino cruel de exílio e sem perdão, enquanto na obra de Júlia Lopes de Almeida há um rompimento com os estereótipos patriarcalistas, ao construir uma adúltera fora dos padrões da época, não recriminada por todos, nem acometida por um destino trágico, tendo em vista que, na obra em questão, as mulheres não se enxergam de forma tão culpabilizada como os homens enxergam as mulheres.
