Apropriação da linguagem escrita nos anos iniciais do ensino fundamental: sentidos elaborados pelas crianças
Date
Authors
Journal Title
Journal ISSN
Volume Title
Publisher
Abstract
Compreendemos a alfabetização como um processo de aprendizagem voltado para a apropriação do sistema de escrita alfabética e para o desenvolvimento das capacidades necessárias ao aprendizado da leitura (compreender) e da escrita (produzir) de textos de diferentes gêneros. Trata-se, portanto, de um processo simultaneamente conceitual e discursivo (Lopes, 2012; Soares, 2009; Smolka, 2012). Desse modo, temos nos questionado sobre os seguintes aspectos: como se materializam as práticas voltadas às crianças em processo de alfabetização? Quais atividades são oportunizadas às crianças? O que elas pensam sobre seus processos de alfabetização?. Assim, temos como objetivo investigar os sentidos elaborados por crianças acerca de seus processos de apropriação da linguagem escrita. Nesse sentido, a pesquisa parte das abordagens de cunho qualitativo (Freitas, 2002) e se ancora nos princípios da abordagem Histórico-cultural de Lev S. Vigotski (2007) e nas proposições do dialogismo de Mikhail Bakhtin (2003). Como procedimentos metodológicos, realizamos sessões de observação participante (com registros fotográficos e anotações em diário de campo) em uma turma de primeiro ano do ensino fundamental e realizamos entrevistas coletivas semiestruturadas com as crianças (6 a 7 anos de idade). Organizamos os dados empíricos em quatro eixos relacionados às atividades observadas e mencionadas pelas crianças, a saber: Desvendando a palavra do dia; Onde foi parar a leitura literária?; “Leitura e escrita” de palavras agrupadas pela letra inicial. Na análise dos dados, as sessões de observação participante e as vozes das crianças nos revelaram que as práticas desenvolvidas seguem uma perspectiva tradicional de alfabetização. Ao longo das análises, percebemos que as atividades propostas concentram-se no trabalho com letras e sílabas de forma isolada, o que resulta em um processo de aprendizagem técnico e mecânico que desconsidera os contextos discursivos, a escrita como linguagem e prática social que envolve produção de sentidos.

